quarta-feira, 15 de junho de 2011

Tristeza ou depressão ?

Uma primeira observação é sobre a dificuldade que habitualmente se tem para distinguir entre depressão, *a doença, e tristeza, o estado de ânimo.
Muitas pessoas creem que se trata de uma questão de intensidade de emoção, ou de qualidade de sofrimento. Na verdade a distinção mais adequada diz respeito ao fato de que a depressão é um fenômeno interno, que se passa totalmente dentro do individuo, enquanto que a tristeza é um fenômeno de causas externas, portanto ela ocorre, por assim dizer, de fora para dentro. Nossas tristezas, tanto quanto nossas alegrias, surgem a partir de algum evento, ou grupo de eventos que ocorrem em nossa realidade externa.
Portanto, se estamos tristes porque algo ruim nos aconteceu, ou aconteceu a alguém de quem gostamos ou que de alguma forma nos é importante, estamos vivendo um momento de tristeza, embora muitos costumem se referir ao que sentem como sendo depressão. Um exemplo seria: “Estou deprimido porque o Flamengo perdeu”. Nesse caso, na verdade está se falando de uma tristeza, nunca de uma depressão. O mesmo se refere a acontecimentos mais graves como a morte de uma pessoa querida ou o final de uma relação amorosa.
Se tudo isto é tristeza, resta então dizer o que é depressão. Como assinalei a princípio, depressão consiste em um fenômeno interno, ocorre sem a influência de qualquer acontecimento. Pode ser difícil de se compreender isso, mas quem sentiu sabe bem o que seja acordar um belo dia e ter um sentimento de ruína, de mal-estar, de miséria, sem que nada haja acontecido que justifique o que se sente. Trata-se de uma dor incompreensível e a dificuldade de entender o que acontece ainda agrava o sentimento de mal-estar. Em grau leve ou moderado, quase todos nós já sentimos em algum momento da vida este mal-estar que surge sem motivo aparente, uma angústia que no invade de forma incontrolável, ou quase incontrolável.
Uma das razões para a confusão entre tristeza e depressão está relacionada ao fato de que os sintomas são semelhantes e o tratamento é muitas vezes praticamente o mesmo. A maioria dos remédios para depressão ajuda a combater a tristeza. Por outro lado, ainda existe a questão de que muitas vezes uma tristeza, ou seja a dor por algo acontecido, acaba desencadeando uma depressão que se percebe pelo fato de a tristeza se prolongar além de um limite razoável.
Tratamento para depressão e tristeza 
Existem dois tipos de tratamento para a depressão e para a tristeza. O primeiro se baseia na prescrição de remédios antidepressivos. Esses atuam na bioquímica cerebral de formas variadas e com diferentes, mas eficazes, efeitos. A outra forma de tratamento consiste na psicoterapia, que pode ser exercida de formas muito diversas e cujo resultado depende da competência do terapeuta e de um relacionamento eficaz entre esse e seu cliente.
Embora alguns autores insistam na ideia de que um tratamento invalidaria o outro, minha experiência me tem mostrado que eles podem ter uma sinergia que potencializa o efeito positivo de ambos, com resultados melhores e mais rápidos.
Em princípio, a tristeza deve ser mais fácil e mais rápida de ser curada, mas nem sempre os fatos ocorrem como se espera. Antigamente se usava muito a expressão “depressão situacional” para os casos do que hoje prefiro chamar de tristeza enquanto que a depressão propriamente dita se dizia “endógena”. Hoje em dia se introduziu o conceito de bipolaridade para sublinhar um tipo particular de depressão que eventualmente se alterna com episódios de hiperforia, ou seja de uma euforia exagerada, tão exagerada quanto a depressão que pode acompanhá-la.
Concluindo, quero deixar uma palavra de esperança para aqueles que sofrem e para os que os acompanham. A medicina moderna, somada ao desenvolvimento da qualidade da psicoterapia, oferece a possibilidade de um alívio concreto e consistente tanto da depressão quanto da tristeza, embora por vezes os resultados levem tempo para se tornarem evidentes.
Devemos ser otimistas quanto à eficácia dos tratamentos propostos, mas é conveniente começar o mais rapidamente possível para diminuir o tempo da enfermidade e o sofrimento que ela causa. Temos todos os motivos para esperar que o sol volte a brilhar e a vida torne a ser saborosa e saboreável.
* Tecnicamente, depressão é uma doença. Não incluídos aqui pequenos episódios que todos nós já vivemos, pois creio que um pouco de depressão (leve) todos nós já tivemos. É meio complicado, mas medicina é assim mesmo. Coceira, por exemplo não é doença, mas pode ser, dependendo da intensidade.
                                                                                     Luiz Alberto Py

Mágoa sem fim.


A mágoa, sentimento difícil de ter fim, ou será que esse fim nunca chega?
A mágoa fica dentro de nós sem sabermos o que fazer com ela, mesmo perdoando, convivendo com quem magoou.
Por que será que sentimos tal coisa, tem sempre um motivo para existir e por mais que tentamos esquecer perdoar esta sempre dentro de nós corroendo nosso coração.
Sentimento como esse difícil de acabar, diria até mais enteso que o próprio amor.
Em um relacionamento amoroso, aquele que começa tudo errado, mas que com o tempo (muito tempo), fica tudo bem conforme deve ser, bom para os dois, mas que sempre quando surge uma briga um desentendimento coisas do passado (daquela fase difícil lá do começo) volta como argumento nesse momento, isso é a magoa que mesmo perdoada volta. Acho que na verdade nunca foi perdoada verdadeiramente, tem coisas quando doe lá dentro do coração não tem como ser esquecida, por maior que seja a vontade de esquecer.
Você já se parou pensando nos momentos dolorosos que o “outro” te fez passar e ao mesmo tempo pensar: mais porque estou pensando nisso se hoje esta tudo tão bem do jeito que tanto quis.... Essa é a mágoa sem fim.       Priscila S.

AS CRIANÇAS PRECISAM DE AMOR...

As crianças não amadas dificilmente serão felizes. Mais ainda: tratarão mal seus próprios filhos.
As crianças privadas precocemente do afeto materno comprometem o desenvolvimento da sociabilidade, da disponibilidade e da alegria de viver.
A criança sente uma exigência enorme de ser circundada de afeto e protegida principalmente pela mãe.
O relacionamento da mãe com o filho não pode ser dominador a ponto de impedir, através de muitos mecanismos, que o filho vá se tornando pouco a pouco independente.
Num relacionamento mais autêntico, deve-se criar um desapego gradual e delicado, que permita ao filho desenvolver sua própria personalidade.

                                                                                                                         Elaine Marini